quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Professores da Rede Municipal de Cachoeirinha -Visitam os Territórios Negros de Porto Alegre

Territórios Negros


Carris promove a cidadania em todas as cores


Uma linha de ônibus especial educativa da Cia Carris Porto-Alegrense – “Territórios Negros: Afro-brasileiros em Porto Alegre” é um projeto desenvolvido em parceria com as secretarias municipais de Educação, Turismo, Secretaria Adjunta do Povo Negro e Procempa que oferece uma viagem no tempo e na história de Porto Alegre. O coletivo temático, adaptado e caracterizado especialmente para o trajeto, visita os pontos de referência da população afro-brasileira na Capital sob orientação monitora Fátima Rosane André.


“A linha oferece a oportunidade de ampliar o conhecimento e a compreensão sobre a história e a cultura dos afro-brasileiros na cidade. Em 2003, com a sanção da Lei 10.639, o ensino da história e cultura afro-brasileiras no ensino fundamental e médio tornou-se obrigatório no país”, explica o coordenador da linha, Leonardo da Rosa.
 
A cursista do Curso em Procedimentos Didáticos Pedagógicos em Cultura Afro-Brasileira e indigena,Fernanda Amaro farias,relatou que o percurso aos territórios trouxe vários enredos de carnaval compostos pelas escolas de samba de Porto Alegre.

Para lembrar Imperadores do Samba e Lupicinio Rodrigues que nasceu na ilhota:

Amor à noite hoje é boemia
Vem brilhando estrela guia
Vermelhando imperador                                    
Que embala nossos sonhos
Com enredo apaixonante
De um gênio compositor

(Vem me dizer)
Que nasceu lá na ilhota
Um moleque bom de bola
Corpo e alma tricolor
E na sua mocidade
O bonde da história
Ele embarcou

Lupiscilinando, com seus versos,
Fascinantes na magia das paixões
Foi sedutor amor amante
Na praça
O lambe-lambe quem diria
O soldado poeta pousa
Pra fotografia
Na Lapa conheceu muitos amores
Suas canções atravessaram gerações

Semeando amor e melodias
Nos blocos, cabarés e nos salões.

Rei do amor

Rei da dor de cotovelo
Quem ama vai te ver cantar
Marinheiro, namoradas seresteiro.
Serenatas a luz do luar

Moço vou cantar felicidade
No partenon ou jardim da saudade
A caixa de fósforos eu vou batucar

Tem que ter nervos de aço
Pra suportar esta cadeira
Vazia na mesa desse bar.

 

O ônibus circula por regiões historicamente reconhecidas como territórios de ocupação e constituição da população negra: o Largo da Forca (Praça Brigadeiro Sampaio), o Pelourinho (Igreja Nossa Senhora das Dores), o Mercado Público, o Parque da Redenção (Parque Farroupilha), a Colônia Africana (bairros Bom Fim e Rio Branco), a Ilhota (perto do Centro Municipal de Cultura e da Avenida Érico Veríssimo), o Quilombo do Areal da Baronesa (Travessa Luiz Guaranha) e o Largo Zumbi dos Palmares.
O Quilombo do Areal/Luis Guaranha.

Localizado na rua Luis Guaranha, na Cidade Baixa, o Quilo,bo foi reconhecido em 2004. A região integrava a propriedade do Barão e da Baronesa do Gravatahy. No final do século XIX e próximo à abolição da escravidão, a região foi urbanizada. A permanência na região e as diversas formas de sociabilidade entre as famílias afrodescendentes possibilitaram o reconhecimento da rua Luis Guaranha como “Quilombo Urbano”.

Comunidade que se reconhece como legatária do Areal da Baronesa, antigo território negro de Porto Alegre, famoso por ser isolado, pelas casas de religião, pelo carnaval de rua e por seus músicos populares. Ocupa um beco, a que chamam de avenida – uma pequena rua com casas geminadas. As sociabilidades de rua e as relações de auxílio mútuo caracterizam o “morar em casa de avenida” - modo de vida que é um dos elementos centrais na identidade dessa comunidade.

São aproximadamente 80 famílias que vivem em uma das últimas “avenidas” da região, a Luís Guaranha, historicamente ocupada por famílias negras. As fachadas de antigas casas são preservadas, por seu caráter histórico. Através de participação política, lideranças da comunidade obtiveram no Orçamento Participativo da cidade a construção de 12 novas casas no local. Seus integrantes trabalham como serventes, domésticas, brigadianos, entre outros.

Historicamente esta área ficou na memória dos habitantes da cidade, principalmente os antigos carnavalescos, como Areal da Baronesa, um dos mais antigos arraiais de Porto Alegre. Inicialmente formado pela Rua do Arvoredo, (atual Rua Fernando Machado) teve sua origem no século XVIII; posteriormente (início do século XIX) este local ficou conhecido por Emboscadas. Na região, existia um arroio de 20 quilômetros de curso que nascia em Viamão e percorria a Cidade Baixa antes de chegar ao Guaíba, o Riachinho, que provocava constantes alagamentos, principalmente na Rua da Margem (atual Rua João Alfredo).

A partir de meados do século XIX, este arraial já compreendia um número maior de ruas, que foram abertas em função da necessidade de proprietários de pequenas chácaras de escoar alimentos até o centro da cidade. No ponto mais extremo sul da Cidade Baixa, estava uma porção de terra conhecida como Ilhota, que com as cheias do riacho formava uma verdadeira ilha, habitada por pessoas de baixa renda. Na margem esquerda, ficava o local conhecido por Arraial ou Areal da Baronesa, onde atualmente situa-se a Praça Cônego Marcelino, e as ruas Baronesa do Gravataí, Barão do Gravataí, Cel. André Belo e Miguel Teixeira, e algumas transversais menores.

O Arraial da Baronesa era uma extensa área de terra que pertencia a João Baptista da Silva Pereira, Barão de Gravathay, que ali mantinha uma chácara, onde construiu um palacete na década de 1820. A denominação de Areal da Baronesa, por sua vez, tem seu nome ligado tanto à Baronesa de Gravatahy quanto à grande quantidade de areia que o fluxo do riacho depositava nas proximidades da sua foz com o Guaíba.

Com as constantes cheias do Areal e os conseqüentes alagamentos, a herdeira da chácara, Baronesa do Gravatahy, já com avançada idade e sem recursos financeiros, entrou com um pedido na Câmara para a divisão e arruamento do local, e logo seu pedido foi deferido. Com a morte da proprietária e a abolição da escravidão, o Areal foi ocupado por negros alforriados da senzala da chácara que passaram a trabalhar nos solares da região. A maioria dos ex-escravos migrou para regiões próximas ao Centro, onde ocuparam casebres, pensões e quartos de aluguel.


Além da identidade cultural e étnica deste território, a idéia de ocupação territorial negra já estava presente anteriormente (início do séc. XIX), quando esta parte da Cidade Baixa era conhecida como Emboscadas, local que servia de refúgio para os escravos evadidos da servidão. Formado por um mato cerrado de moitas e capões e por acidentes do relevo, acoitava também ‘criminosos’, como revelavam os cronistas, que classificavam o espaço de sinistro e perigoso.


As representações negativas sobre o Areal e os demais territórios negros são veiculadas através das crônicas quase diárias dos periódicos da época. Com um novo projeto de cidade ordenada, os becos e cortiços foram eliminados, e os mais atingidos neste processo de “limpeza” e reordenamento espacial localizavam-se na área central da cidade. Os becos foram os principais “alvos” desta reordenação na região da Cidade Baixa: Beco do José de Souza, da Olaria , Israel Paiva (Rua Sarmento Leite), Beco do Firme (Rua Avaí). O Beco do Céu e da Preta foram retirados posteriormente, no processo de expulsão da população negra do Areal.

Com o adensamento populacional, e a abertura de ruas perimetrais, a Cidade Baixa (no início do século XX) tornou-se uma zona contínua ao perímetro urbano, ocupada por outros segmentos da população. Mas o Areal, com suas precárias condições de saneamento e salubridade, continua sendo moradia da população pobre de descendentes de africanos.
Na década de 1950, iniciaram-se as obras de retificação do Riacho, e houve um processo acelerado e progressivo de urbanização. Apesar dos processos de remodelação urbana e enobrecimento populacional que essa região da cidade viveu nos anos subseqüentes, a avenida Luís Guaranha permaneceu. Seus moradores se reconhecem e são reconhecidos como os legatários deste antigo território negro que era o Areal da Baronesa.


O projeto está aberto a grupos de instituições de ensino e sociedade civil, de terça-feira a sábado, mediante agen
damento prévio. Todos aqueles interessados em saber mais sobre a história de Porto Alegre encontram no passeio uma fonte de aprendizado. Para marcar e receber mais informações sobre o projeto, entre em contato com a Carris pelo fone 3289-2168 e pelo e-mail territorios.negros@carris.com.br.
fonte:http://www.carris.com.br/default.php?p_secao=104
Pesquisa : Simone Majerkovski Custodio

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