terça-feira, 8 de abril de 2014

EAD: DESUMANIZAÇÃO OU NOVAS POSSIBILIDADES?

EAD: DESUMANIZAÇÃO OU NOVAS POSSIBILIDADES? Alguns têm condenado o chamado Ensino à Distância (EAD) sob o argumento de que o mesmo leva, necessária e obrigatoriamente, à desumanização das relações entre, por exemplo, professor e educando. Colocam-se contra o que consideram uma espécie de educação in vitro, onde os conflitos humanos típicos e compreensíveis são postos de lado. Soaria como um processo de “eugenia” social, colocando para fora dos muros da escola boa parte dos alunos e alunas indesejados ou, no mínimo, restringindo-lhes significativamente o tempo de permanência na instituição. Confesso que tenho como que um “pé atrás” no que tange ao Ensino à Distância, pois sou um ferrenho defensor da necessidade do vínculo no processo ensino-aprendizagem. Preciso sentir o cheiro de gente, olhar no fundo dos olhos, captar cada gesto ou até mesmo compreender a falta dele. A simples troca do ensino presencial pela modalidade EAD parece-me um equívoco, como já dito em outras oportunidades . Acredito, isto sim, que a substituição só é aceitável diante de situações e públicos específicas. Por outro lado, os argumentos de que se valem alguns críticos – tomados de uma flagrante cegueira analítica – do EAD merecem uma boa dose de reflexão. No final da década de 1990, as telas exibiram o “Homem Bicentenário ”, onde um robô doméstico (representado por Robin Williams) chamado de Andrew começou a desenvolver, digamos..., “sensibilidade humana” para assuntos como perdão e compaixão, ultrapassando, de longe, suas “funções” originais, como as tarefas tipicamente domésticas. Genial o filme. Quantas lições dele se pode extrair! Pincelo uma delas, a saber, o tapa com luvas de pelica que nos é dado. Uma máquina com grau de “humanidade” muito maior do que o de nossa espécie. Não muito diferente é o que tenho visto em relação à escola. Professores, não são poucos, que mantêm uma distância estratosférica, fria, impessoal e indiferente em relação ao educando. Resistem a elogiar, insistem em diminuir, ainda mais, a autoestima de quem a vida já privou de tantas coisas. Presentes, só os corpos de tais “educadores”, pois a cumplicidade com os desejos, sonhos e dificuldades dos alunos e alunas passa de largo. Homens e mulheres tidos por “profissionais”, que fazem do giz não um pincel pronto a dar vida e sentido aos textos, fórmulas e rabiscos que zingam o quadro-verde. Parece, isto sim, é fazerem uso de um bisturi às portas de uma lobotomia da alma. O olhar viajante há muito se fora, se é que algum dia se fizera presente. Usam velhos chavões para realidades e contextos completamente novas. Amarelados não são apenas os “planos de aula”, mas o próprio senso crítico parece tomado pelo zinabre da mesmice pedagógica. Os incontáveis títulos e certificados, exceto trazerem algumas moedas a mais na algibeira dos parcos salários, servem tão-somente como adorno à sala ou aos sorrateiros “cafofos” do ego. O que desumaniza não é a máquina. O que distancia o educando da escola e de tudo o que ela representa não é a ferramenta. O que lança para fora o aluno são as relações que se estabelecem no ambiente escolar. Seja qual for a proposta metodológica ou a modalidade adotadas pela instituição de ensino, inexistindo atenção e fortalecimento dos vínculos, o fracasso é certo, mesmo que tardio. Máquinas são apenas máquinas! Não passam de um amontoado de parafusos a nosso serviço. As relações, ao contrário, pressupõem uma engenharia infinitamente mais complexa. São estas últimas que dão (re)significado à própria vida. É na relação com o “outro” que eu cresço e aprendo. É na relação com o “outro” que me torno, de fato, sujeito da minha e da nossa história. É na relação com o “outro” que dou sentido ao que outrora não passava de mera teoria. É na relação com o “outro” que sedimento e frutifico os nobres valores éticos, imprescindíveis à teia social. Quem é o “outro”? Por que não nós os educadores? Assumamos um papel de protagonistas na vida e no processo ensino-aprendizagem dos educandos. Somos, por natureza, insubstituíveis. Urge, entretanto, que tomemos posse do lugar para nós reservado, sob o risco de vê-lo ocupado pela sombra dos penduricalhos por nós mesmos criados. Gilvan Teixeira Fonte:blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

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