sexta-feira, 1 de abril de 2016

As origens do jazz Como a trilha sonora do século 20 dominou o mundo Fabio Marton |

Hoje pode ser coisa de aficionados e intelectuais, mas, até perder seu trono para o pop e o rock’n’roll nos anos 60, o jazz foi a música mais popular do mundo. De Los Angeles até Moscou, o jazz passou por cima de todas as tradições locais, roubando o espaço até da venerável música clássica. E, mesmo onde o nacionalismo impediu que ele afogasse as tradições, como no Brasil e no resto da América Latina, deixou uma marca indelével. Como um estilo nascido em humildes origens, de negros pobres numa das regiões mais pobres dos Estados Unidos, se tornou a música do mundo?
Pai pobre, pai rico O jazz surgiu em Nova Orleans, sul dos EUA, no início do século 20. A cidade “tinha um balanço especial entre as culturas branca e negra e entre as músicas clássica e popular, que parecem ter sido características ideais para o surgimento do Jazz”, afirma o historiador Mervyn Cooke, da Universidade de Cambridge, autor de The Chronicle of Jazz (sem tradução), em entrevista a AVENTURAS NA HISTÓRIA. Mas não era só esse balanço que estava em questão. Ele também existia em Havana, Salvador e Rio de Janeiro, que deram origem a outros ritmos. Certas coisas boas nascem da adversidade. Algo que diferenciava Nova Orleans é que estava situada num país protestante e segregacionista, onde os conflitos raciais eram exacerbados. Logo após a Guerra Civil e a subsequente abolição da escravidão, foram criados os Black Codes, leis que restringiam os direitos dos negros. Essas leis proibiram os tambores africanos – que sobreviveriam no Brasil e em Cuba. Em vez disso, o mesmo ritmo africano teve de se adaptar a instrumentos europeus. Nas igrejas segregadas dos negros surgiram os spirituals, canções africanas sem a percussão, que deram origem ao blues, sua versão secular. E, de forma impressionante, o ritmo dos tambores foi transferido para o piano. Era o ragtime, uma marcha com acompanhamento politônico, feito com outra mão ou um segundo pianista, um ritmo tipicamente africano adaptado ao instrumento. O ragtime era tocado pelos negros e mestiços mais abastados, que tinham a educação musical formal. Os pobres ficavam com os blues. Mas foram necessárias outras condições peculiares. Nova Orleans tem festivais de rua, herança de sua colonização francesa e católica (a região foi comprada de Napoleão em 1803). Os protestantes que fundaram os EUA não celebravam o Carnaval, ali chamado Mardi Gras. Outra tradição única de Nova Orleans é o uso de música em velórios. Nos tempos da colonização francesa e escravidão, usavam-se bandas marciais nessas ocasiões, que tocavam marchas. Quando os negros foram libertados, tomaram parte na celebração com os mesmos instrumentos, o que ficou conhecido como as brass bands. Nessas ocasiões, os adeptos do blues e do ragtime se encontravam. Alguns seguiam a partitura, e os que não sabiam se viravam. Era o nascimento do improviso, uma das características definidoras do jazz. “Havia muitos estilos de música que misturavam tradições ocidentais e africanas, mas o jazz dominou, porque era o mais flexível de todos”, afirma Ted Gioia, autor de diversos livros sobre o jazz.

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