domingo, 12 de fevereiro de 2017

O drama humano que interessa: Luis Antonio Simas

Dia desses escrevi que nunca tinha escutado falar de micro-história, história a contrapelo ou história do cotidiano no colégio (só na faculdade travei contato com essas linhas de estudos), mas já tinha visto a cabrocha Lili desfilar sua formosura na feira livre da Caprichosos de Pilares e me emocionado com o cotidiano do perrengue de uma viagem no trem da Central, ramal Japeri, cantado pela Em Cima da Hora. Hoje sei, dentro da minha profissão, que ali estava o drama humano que me interessa, como historiador, abordar e entender com paixão e método. Foi escutando samba-enredo que eu, ainda menino, soube da Guerra de Canudos, da peleja do caboclo Mitavaí contra o monstro Macobeba, da literatura de Lima Barreto, do drama da seca do Nordeste, da vida fabulosa do pai de santo Hilário de Ojuobá. Foi escola de samba que me falou de Teresa de Benguela e do Quilombo do Quariterê, da Confederação dos Índios Tamoios, das lendas dos orixás, dos mitos de origem dos Carajás e de tanta coisa do tipo. É escola de samba que, em 2017, no meio dessa turbulência de um Brasil maltratado, fará ecoar na avenida um samba que começa com "Almirante João, sou Carolina de Jesus / Carrego um papelão / Você navega a sua cruz...". O encontro imaginado entre Carolina Maria de Jesus e João Cândido, fabulando cartas de Carolina para o Almirante Negro, baseado em um filme do camarada Luiz Antonio Pilar, é dos enredos mais fascinantes dos desfiles em décadas. E o samba, ah! o samba, do camarada Claudio Russo, do querido Moacyr Luz (um dos maiores compositores do Brasil) e do ótimo Diego Nicolau é uma oração da nossa gente. O melhor do ano; o mais bonito e candidato a melhor canção brasileira (entre todos os gêneros) de 2017. Basta não ter preconceito contra samba-enredo para perceber isso.

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